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CRESSPOM perde 15 pontos no Candanguinho Sub-11 e decisão gera debate sobre “tapetão” no futebol de base

Publicada em: 23/05/2026 14:16 -

Uma decisão envolvendo o Campeonato Candanguinho Sub-11 tem provocado forte repercussão nos bastidores do futebol de base do Distrito Federal. O CRESSPOM foi punido com a perda de 15 pontos sob a alegação de utilização irregular de um atleta que, segundo o entendimento aplicado no processo, teria participado da competição por dois clubes distintos.

 

O caso, no entanto, vem sendo cercado de questionamentos por parte de dirigentes, familiares e pessoas ligadas ao futebol de formação. Isso porque, de acordo com informações obtidas pela reportagem, o vínculo anterior do atleta já havia sido oficialmente encerrado antes de sua atuação pelo CRESSPOM.

Documentos do sistema de registro apontam que o desligamento do atleta do Gama ocorreu no dia 31 de março de 2026, com publicação regular no BID (Boletim Informativo Diário). Já a súmula oficial da competição mostra que a primeira partida do jogador pelo CRESSPOM aconteceu apenas no dia 19 de abril de 2026.

 

Além disso, o novo cadastro do atleta teria sido validado pelos próprios sistemas federativos, permitindo que o jogador fosse relacionado e utilizado normalmente pela equipe.

O ponto central da controvérsia está justamente na interpretação adotada para a punição. Pessoas próximas ao caso afirmam que não houve fraude documental, falsificação, inscrição clandestina ou duplicidade simultânea de registro. A defesa sustenta que toda a tramitação ocorreu dentro do fluxo operacional autorizado pela própria estrutura responsável pelo controle de registros.

Há ainda questionamentos sobre a compatibilidade da decisão com normas nacionais da CBF, especialmente dispositivos do Regulamento Geral das Competições (RGC) e do Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas, que tratam especificamente das regras de transferência, registro e atuação de atletas não profissionais.

A repercussão ganhou ainda mais força pelo fato de o episódio envolver crianças de apenas 10 e 11 anos de idade. Para muitos envolvidos no futebol formador, decisões dessa natureza acabam alimentando a chamada “cultura do tapetão” já nas categorias infantis, justamente em uma etapa em que o esporte deveria priorizar valores educacionais, desenvolvimento humano e espírito esportivo.

O debate reacende uma discussão antiga no futebol brasileiro: qual modelo de formação se deseja construir para as próximas gerações. Especialistas e profissionais da base frequentemente defendem que o ambiente competitivo precisa ensinar não apenas fundamentos técnicos, mas também princípios de ética, equilíbrio e justiça esportiva.

A reportagem deixa o espaço aberto para que a Federação de Futebol do Distrito Federal se manifeste oficialmente sobre os critérios adotados na decisão, os fundamentos jurídicos utilizados no julgamento e eventuais esclarecimentos sobre o caso.

 

texto: Ademir Valentim

Imagem: IA 

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